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Espelho, espelho meu...

  • Foto do escritor: Evas com K
    Evas com K
  • 22 de jul. de 2020
  • 2 min de leitura

Quantas vezes você sentiu-se julgado de forma equivocada? Provavelmente, muitas. Esta é uma situação que traz desconforto, e decorre de um ato indelicado que nos decepciona. Qual será a gênise desse incômodo? Por que nos incomodamos com as opiniões e críticas de algumas pessoas? Será que não existe algo precisando ser olhado com mais atenção, com maior cuidado?


Quando pessoas magoam as outras, é uma reação que mais têm a ver com o que está acontecendo dentro delas. Ecoa um sentimento egoísta e individualista, mas por muitas vezes, as pessoas desconhecem seu caos interior. E então vem o outro e você se projeta nele, questiona e refuta. Não é o outro é você, é um mecanismo de projeção. Enquanto você achar que tudo é culpa de alguém vai sofrer muito.

Seria pertinente questionar de o porque estar sentido desta determinada forma. Descobrir se tenho responsabilidade nesse incômodo pode ser elucidativo.

Se alguma coisa nas palavras de outra pessoa causa incômodo, pode ser que o maior problema não esteja no outro, mas sim em mim.

Mecanismos de projeção são estudados por linhas terapêuticas diversas. Pode, por exemplo, corresponder ao princípio do espelho: de que se um determinado comportamento me desagrada, possivelmente parte dele existe em mim, o outro está como um espelho para que eu possa ver minha imagem, o meu eu dando a oportunidade de ascender. Quantas vezes a injustiça do pensamento do outro sobre mim e a falta de oportunidade de me justificar e mostrar para a outra pessoa o quanto ela está errada a meu respeito me incomodou? Por que me incomodou?

Algo que é contraditório, pois exigimos que não julguem nossos comportamentos, mas julgamos e somos julgados permanentemente, sem que possamos evitar. A visão pessoal não pode ser a única válida e isto nos impede de ver além e compreender outras perspectivas diferentes. Permita-se sentir, analisar, desenvolver e duvidar, aceitar que ambas as posturas podem ser corretas e que isso não faz uma melhor que a outra.

O outro é necessário para se desenvolver. Essa troca sustenta a harmonia, expressão pouco levada em consideração. E você? Está incomodado? Progredir por dentro e por fora é algo que nos traz satisfação e deleite. A opinião dos outros não define quem você é! Pense nisso e liberte-se!




“Sorriso audível das folhas,

Não és mais que a brisa ali.

Se eu te olho e tu me olhas,

Quem primeiro é que sorri?

O primeiro a sorrir ri.

Ri, e olha de repente,

Para fins de não olhar,

Para onde nas folhas sente

O som do vento passar.

Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando

Onde não olha, voltou;

E estamos os dois falando

O que se não conversou.

Isto acaba ou começou?"





Referência:

Freud, S. (1974). Estudos sobre histeria. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas, vol. 2. Trad. Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1893[1895].)

Lacan, J. (1932/1987). Da psicose paranoica em suas relações com a personalidade, seguido de Primeiros escritos sobre a paranoia. Rio de Janeiro: Forense-universitária.

Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995), p.152.

Fotos Divulgação da internet.





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