Valorize ele, ele é lindo
- Evas com K

- 8 de out. de 2020
- 4 min de leitura

Esse post é para falar um pouco sobre ele: o cabelo!
Há muito tempo as pessoas se submetem a processos químicos e quando tomam essa decisão, é preciso ter certeza do que está fazendo.
Houve por muitos anos e ainda há uma padronização opressora no campo da estética, contudo o acesso das pessoas as redes sociais, vem mostrando que, ao contrário das capas de revista, existem outros tipos de belezas mais próximas à realidade. No Google as buscas por “cabelos cacheados” superam as buscas por “cabelos lisos”. As plataformas sobre cabelos crespos e cacheados ganham cada vez mais espaço e apoio.
O cuidado com os cabelos começou na pré-história, mas foi no Egito que a arte de cuidar dos cabelos chegou ao auge. Ao longo da história, as pessoas têm usado cabelos das mais variadas formas, frequentemente em consonância com sua cultura e em algumas dessas culturas as mulheres são obrigadas a cobrir seus cabelos quando estão em público por questões religiosas, e em outra, tem seus cabelos raspados e cobertos por perucas.
Na Grécia antiga surgiram os penteados mais elaborados, os cabelos das mulheres eram frisados e encaracolados delicadamente com franjas em espiral e enfeitados com tiaras e fitas, pentes de bronze ou de marfim. Foi também na Grécia que surgiu o rabo de cavalo usado pelas mulheres até hoje.
Em 1906 foi inventada a máquina de fazer ondas permanentes no cabelo, e na mesma época também foi criada a colorações para os cabelos. Depois da primeira guerra mundial as mulheres independentes e ativas começaram a usar cabelos curtíssimos, o que foi considerado um escândalo para a época, contudo ganhou popularidade com a vinda do cinema na década de 20.

O mercado do cabelo é repleto de técnicas e métodos de alisamentos, mas na década de 30 ainda não havia métodos químicos de alisamento, então o método usado era uma haste de metal levada à brasa ou ao fogão que depois de quente, era aplicado no cabelo e sua textura modificada. Nos anos 40 surge o pente quente, um processo semelhante ao da haste de metal em que o instrumento era aquecido no fogo e passado diretamente no fio.
As substâncias químicas como a soda cáustica, ou o hidróxido de sódio, por exemplo, começaram a ser usados nos anos 50, nessa década passou a ser usado pelas mulheres com madeixas mais crespas e volumosas. Na década de 60, as musas do cinema usavam cabelos volumosos e alinhados, a ideia era imitar o visual de Jacqueline Kennedy, para isso usava-se fazer touca noturna com grampos.
Na era hippie dos anos 70, a espontaneidade e o orgulho do cabelo dominavam o cenário. No início dos anos 80, surgiu o permanente, com objetivo de encaracolar as lisas, pois a moda era ter volume, contudo, no final da década, começaram a aparecer alguns processos químicos para alisar o cabelo como, por exemplo, a touca de gesso que se caracterizava por uma mistura de farinha de trigo com tioglicolato de amônio.
No final dos anos 90, a febre era ter o cabelo liso e chapado, e além da popularização da prancha, surgiu o famoso alisamento japonês a base de tioglicolato de amônio. Atenuando a técnica definitiva, a escova progressiva à base de formol despontou no subúrbio do Rio de Janeiro e se espalhou por todo o País já no início dos anos 2000, a técnica proporcionava cabelos lisos por três meses. Contudo, o produto utilizado causava diversos danos à saúde, inclusive houve relatos de casos de morte por adeptas.

Por volta de 2010, depois da proibição do formol, o mercado investe em fórmulas alisantes como o alisamento light, dos redutores de volume, realinhamento térmico e escovas definitivas. Entretanto, a Anvisa está sempre atenta. Após surgir como um dos substitutos do formol, o ácido glioxílico foi proibido em 2014. O motivo? Ao esquentá-lo com a prancha, ele libera formaldeído! Os cabeleireiros precisam ficar atentos para usar ativos registrados e aprovados pela Anvisa. Hoje, as substâncias permitidas são: tioglicolato de amônio, carbonato de guanidina, hidróxido de guanidina, de sódio, potássio, lítio e cálcio.
Quando o assunto é cabelo e estética, mulheres negras costumam ter histórias muito parecidas, que normalmente envolvem um longo processo de auto aceitação e (re)descoberta de sua identidade. Mesmo hoje com o movimento de empoderamento do cabelo cacheado, levantar da cama e sair com cachos na rua ainda é um ato de resistência. Para a maioria das crespas e cacheadas, a transição capilar é um momento emblemático, pois representa uma mudança, pois está ligado a autoestima, o cabelo pode ser um aliado quando se trata de valorização e identidade.
Agora lemos que o cabelo cacheado está na moda. Será?
Usar o cabelo cacheado é um ato de resistência e não de moda. Cabelo cacheado não está na moda, ele é uma característica genética e sempre existiu. Uma característica física e genética não pode ser posto como uma vertente da moda, pois tanto o cabelo crespo quanto o liso sempre existiram. Contudo, os padrões de beleza não permitiram que as pessoas de cabelos cacheados usassem os seus fios naturais livremente, sem que passassem por um julgamento social e por esse motivo passaram anos sem serem vistos, pois escondiam sua característica alisado com química ou prancha.
Exibir os cachos hoje não tem nada a ver com moda, e sim com reconhecer e se orgulhar as suas origens e a sua ancestralidade. Poder usar o cabelo natural é uma vitória para os cacheados, resultado de anos de luta por equidade social.
A grande verdade é que seja por costume, vaidade ou atitude, o importante é como você se sente em relação a vocês mesma! Ter a liberdade de escolher, pois não existe regra, o importante é sentir-se bem. Desprendam-se os padrões e julgamentos e sejam felizes!
"Hair Love" é um curta-metragem de escrito, produzido e dirigido por Matthew A. Cherry. Vencedor do Oscar.
Sites Consultados:
https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/idiomas/a-importancia-dos-cabelos-na-historia-da-humanidade/60443#:~:text=Seus%20primeiros%20registros%20figuram%20no,considerada%20a%20cor%20da%20moda
https://www.nsctotal.com.br/noticias/o-cabelo-tem-historia-e-identidade
https://trends.google.com.br/trends/explore?geo=BR&q=cabelo%20cacheado,cabelo%20liso
Imagens: Divulgação da internet



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