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Quarenta Dias de Desconstrução

  • Foto do escritor: Evas com K
    Evas com K
  • 23 de jul. de 2020
  • 3 min de leitura

A quarentena tem trazido uma série de cuidados que devemos adotar nesse período, e provavelmente muitos deles passarão a fazer parte de nosso cotidiano a partir de agora. Mas é também um momento de desconstrução e de uma serie de reflexões, uma delas é sobre o que realmente vale a pena, sobre nossos valores, sobre os valores atribuídos as coisas e as pessoas que nos cercam. Sobre aquele sapato lindo de salto, que foi comprado e guardado para ser usado em um momento especial, mas ai veio a pandemia e, pantufa é tão confortável né? Mas sentimos mesmo é saudade de pisar descalço na areia, na grama, coloca-los de molho na água geladinha de um rio, cercado de amigos gritando numa tarde de sol, tá, tá bom tá frio, as pantufas são realmente maravilhosas!


Mas e aquele vestido guardado no armário, aquele que realça seu corpo e combina com seu tom de pele, e melhor ainda, nem amassa muito, é “facinho” de passar, e você fica deslumbrante nele, “saudades né minha filha!”. Mas o pijama é tão gostoso, confortável pra dormir, quentinho, de manhazinha faz frio né? Ah pra que tirar, ele é tão confortável e quentinho, dá pra passar o dia com ele sim! Pijama é vida!

E a maquiagem? Como tá ai? Ah, mas nem aparece com a máscara né? Tá bom maquia só a parte de cima então, vamos realçar esses olhos, o olhar é tudo agora! Nunca fez tanto sentido aquela historia de que a parte do corpo que teu crush mais gosta em você são seus olhos... Mas que preguiça, depois tem que tirar tudo, vai acabar dormindo maquiada, deixa pra lá né, vamos economizar maquiagem, isso economia!


Faz pelo menos uma hidratação nesse cabelo. Solta, depois joga pro lado, faz aquele charme. Coque é tão charmoso também, sei lá, dá um ar despojado... Vamos de coque, prende tudo, deixa uns fios caídos do lado, melhor, prende tudo mesmo, vai ficar esses fiapos atrapalhando aí... E de repente o cabelo não tá nem vendo escova mais, é só prender, vamos ser práticos!

A ideia não é desconstruir a beleza, mas desconstruir a obrigação de ter que estar sempre perfeita todos os dias. Não estamos vivendo dias normais, é importante sim manter uma rotina, mas também faz parte aqueles dias em que você quer passar de pijama o dia todo, mesmo com os cabelos hidratados, usar aquele vestido, mas sem a obrigação de salto. Coloca o vestido que combine com a pantufa, pronto! Prende o cabelo, solta o cabelo, mas esteja de bem com você mesma! Use maquiagem, sim, tire fotos, bota aquele vestido, coloca o salto, faz o coque e depois faz uma sessão de fotos, nem que seja só pra você! Seja sua maior inspiração! Mas não se esquece de tirar aquela foto com você de pijama, despenteada, com as pantufas ali, quentinhas nos pés, e se ame assim ao natural!

Agora mais do que nunca é tempo de se desconstruir, deixar de lado todas aquelas cobranças impostas pela sociedade, de que a mulher deve estar sempre impecável, somos humanas e muitas vezes estamos sobrecarregadas, na grande maioria estamos. Cuidamos de tantas pessoas, e que bom que fazemos isso, precisamos cuidar de quem amamos, mas, sobretudo por isso, podemos nos dar ao direito de não nos cobrar tanto. Somos avaliadas e criticadas pela a aparência, pelo peso, pela maneira de se portar o tempo todo, e na grande maioria das vezes por outras mulheres. Quem nunca ouviu aquela frase de que as mulheres se arrumam para outras mulheres? .

Muitas mulheres deixam de praticar atividades físicas, por justamente precisar de atividades físicas. Parece contraditório, e é, mas muitas se isolam por saber que serão julgadas, não pela iniciativa em querer melhorar, em buscar uma vida mais saudável, serão julgadas exatamente por não estar em forma. Aliás, as mulheres não tem o direito em se sentir bem estando gorda, ou assumir os cabelos brancos. Homem com saliência abdominal (barriga) tem história, mulher é desleixada, homens grisalhos, charme, mulheres grisalhas descuidadas. Não defendemos o desleixe, a falta de cuidados, o tanto faz, defendemos o direito de liberdade. Quando namoram, são questionadas pelo casamento, casam já perguntam dos filhos, se tem um, são questionadas de quando a criança terá um irmãozinho. Parece que a mulher nunca é suficientemente boa, sempre falta algo para lhe completar. Não temos que buscar a perfeição, temos que buscar a aceitação, somos boas, muito boas, mas não em tudo e não deixamos de ser completas por conta disso.


"Ô, linda!

O que é que você faz pra ser assim tão linda?

Quando se olhar no espelho, diz assim

'To linda!"


Canção de Projota


*Fonte das fotos: divulgação da internet


 
 
 

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