Mulheres em Risco
- Evas com K

- 27 de jul. de 2020
- 2 min de leitura
No domingo passado (19.07), o programa Fantástico exibiu a reportagem sobre o comércio de armas no Brasil. Só em 2020 o total de novas armas no país já é de aproximadamente 140 mil. O atual presidente está cumprindo sua promessa de campanha de “armar o Brasil”. Muitas dessas armas vão para os membros dos CAC’s, clubes de atiradores esportivos, caçadores e colecionadores. O que acontece é que o nosso país é um dos mais violentos do mundo, e em números absolutos é o que mais mata utilizando armas de fogo. A preocupação de especialistas com relação ao feminicídio é muito clara: a flexibilização ao acesso a armas pode aumentar o risco para as mulheres? Segundo especialistas ouvidas pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher essa liberação ao porte de armas poderá aumentar os índices de feminicídio no Brasil. Nosso país já tem a quinta maior taxa de feminicídio do mundo, que é a morte da mulher por conta do seu gênero.

Gostaríamos de ir além e fazer uma reflexão: e a mulher que sofre a violência doméstica? A intenção não é questionar a lei sobre a posse de armas, e sim quais são os riscos aos mais vulneráveis frente a essa decisão. A simples presença da arma de fogo em casa já é um tormento para a mulher que é vitima de violência doméstica, e talvez possa ser o cativeiro definitivo, uma vez que isto pode inibi-la de denunciar, o que gerará aumento das subnotificações dos casos. Talvez uma simples discussão possa vir a ter um fim trágico. Além das consequências emocionais de se viver oprimida, com medo até de expressar simples vontades, dar voz a sentimentos e principalmente exercer seus direitos.

Outras duas questões também são relevantes para esta discussão: o brasileiro tem a educação e equilíbrio emocional necessário para a posse e uso de armas de fogo? Existe uma regulação para que se possa comprar, com um teste psicológico ADEQUADO? Sabe-se que é preciso uma certidão de antecedentes criminais e testes de aptidão técnica e psicológica. Mas seria o suficiente? Decisões que envolvem o coletivo devem ser analisadas com muita cautela. Ou caso contrário existirá sempre uma parcela da sociedade que será prejudicada.
Quais são as duas armas as quais realmente acreditamos que funcionarão para um país mais justo para com as mulheres e demais cidadãos?
Que as instituições cumpram seu papel integralmente para todos. E que sejam discutidas questões de gênero nas escolas, para ressignificar a forma como a mulher é vista na sociedade e ensinar desde cedo que todos merecem respeito independente de sexo, raça, religião, nacionalidade ou cultura.
Referências:
https://www.camara.leg.br/noticias/599507-para-especialistas-ampliacao-do-porte-de-armas-de-fogo-pode-aumentar-riscos-para-mulheres/
https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2020/07/19/quase-140-mil-novas-armas-de-fogo-sao-registradas-no-brasil-so-em-2020.ghtml
https://jus.com.br/artigos/72444/a-flexibilizacao-da-posse-de-armas-de-fogo-como-potencial-fator-de-risco-a-integridade-fisica-da-mulher-vitima-de-violencia-domestica-no-brasil
https://www.passeidireto.com/arquivo/62439882/sociologia-e-o-armamento
Fonte de Imagens: Globo e Agência Câmara de Notícias




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